Loja Maçônica debate a Resex com instituições de Canavieiras

A Loja Maçônica União e Caridade, de Canavieiras, promoveu na noite desta quarta-feira (9) uma discussão sobre os efeitos da criação da Reserva Extrativista (Resex) no município. Participaram do encontro, a Câmara de Vereadores, a Associação da Barra Velha, o Sindicato dos Produtores Rurais, a Associação dos Criadores de Camarão de Canavieiras (ACCC) e diversas lideranças.

Ao abrir o encontro, o Venerável Mestre da Loja União e Caridade, Lázaro Magnavita, ressaltou que a comunidade canavieirense está apreensiva com a publicação da Portaria 313 de 12 de abril 2018, do Instituto Chico Mendes, que propõe uma série de restrições à população e visitantes. Segundo ele, a medida é totalmente descabida e ilegal, pois além de constranger, inviabiliza o desenvolvimento econômico e social de Canavieiras.

Dentre as proibições da Portaria 313, estão a restrição da pesca amadora, permitida só no sistema pegue e solte e com a presença de um beneficiário (art. 41); proibição da exploração do turismo, por meio de serviços de alimentação e hospedagem (arts 43, 46 e 48), transporte de pessoas que não pertençam a Resex, por embarcações nas áreas de lama negra (art. 49); proibição de coleta de água no estuário para a criação de organismos vivos e despejo de água residual de atividades agroindustriais, criação de organismos vivos e efluentes de esgotos nos rios e riachos da Resex (arts. 52 e 53).

Representando a Câmara Municipal, o vereador Cleonildo Tibúrcio disse que a Portaria 313 é uma peça sem qualquer validade, pois foi publicada sem a anuência do Conselho Gestor da Resex e faz parte de uma cartilha montada para enganar as pessoas. “A portaria é resultado de um trabalho de grupos políticos que se uniram para explorar as pessoas e o Estado, mas que estamos contestando”, afirmou Cleonildo.

Participaram da reunião, os vereadores Cleonildo Tibúrcio, Alex CN Bike, Victor Fábio, Cacá Guimarães, Diego de Jesus (Caboclo) e Tiago Medrado. Os vereadores convidaram as instituições e pessoas presentes para a Audiência Pública que será realizada na Câmara, na próxima terça-feira (15), com a finalidade de transformar a Resex numa Área de Proteção Ambiental (APA), de acordo com projeto de autoria do deputado Sérgio Brito, em tramitação na Câmara Federal.

Segundo o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Canavieiras, Tancredo Melo, as instituições que administram a Resex não se preocupam e nem mesmo têm algum compromisso com o desenvolvimento de Canavieiras. Para Tancredo, desde que foi criada  a Resex os investimentos no município foram estagnados e hoje a população passa por dificuldades em relação à obtenção de emprego e renda.

O presidente da Associação da Barra Velha, Ednaldo Menezes fez um relato sobre todos os passos da criação da Resex, sem qualquer planejamento e eivada de fraudes e ilegalidades, como assinaturas falsas. Ele ainda informou que diversas ações judiciais foram propostas e estão à espera de julgamento. “Estamos lutando contra interesses de grupos políticos poderosos, que com a saída de Lula do poder, devem perder a força que tiveram nesses anos”, assegurou.

Para o presidente da Associação dos Criadores de Camarão de Canavieiras (ACCC), Wanderlei Pinheiro, os produtores rurais, inclusive os de camarões sempre foram vistos pela Amex e o ICMBio local como inimigos. Segundo ele, os produtores de camarão tem sido alvos constantes de calúnias, sem qualquer motivação, extrapolando agora, com a edição da Portaria 313, o que ele considera uma tentativa de sufocar a sociedade, notadamente os que produzem e geram emprego e renda.

Wanderlei Pinheiro informou, ainda, que a grande parcela dos 29 projetos de criação de camarão somente trabalham por meio de liminares expedidas pelo Poder Judiciário, pois tanto os órgãos dos governos federal e estadual (Ibama, ICMbio e Inema) não analisam os pedidos de certificação ambiental. A atividade produz hoje em Canavieiras 1.800 toneladas/ano de camarão, de forma sustentável, produção que pode ser triplicada rapidamente.

 

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