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ALAC HOMENAGEIA INCENTIVADORES COM CERTIFICADOS DE MEMBROS HONORÁRIOS

A Academia de Letras e Artes de Canavieiras (ALAC) se reuniu neste sábado (15), no Colégio Modelo, para comemorar seus 15 anos de fundação e atividades em prol da cultura. No evento, foi lançada a segunda edição da Revista ALAC, que contou com a participação de 14 membros (7 confrades e 7 confreiras), além de homenagear pessoas que incentivaram a Academia e a cultura como um todo.

Yeda Loureiro Pedreira, foi homenageada com o Certificado de Acadêmico Honorário e representou Benjamin Batista

Segundo a presidente da ALAC, Marinalva Lemos Mello, foram homenageados com o Certificado de Acadêmico Honorário Benjamin Batista Filho, Yeda Loureiro Pedreira e Tyrone Perrucho. A honrarias são uma manifestação pela contribuição efetiva dos três homenageados com a criação e instalação da ALAC. Tyrone também foi homenageado  com uma placa pelo apoio do Tabu durante os 50 anos em que foi editor da publicação.

Na mesma solenidade, foi prestada homenagem póstuma ao acadêmico José Roberto Melo de Souza, com a publicação da sua crônica Negro D’água na Revista ALAC, e prestada a Homenagem de Honra ao Mérito à professora e escritora canavieirense Bernadete Argolo, pelos serviços prestados à literatura. O professor e pastor Arnold Lôbo apresentou as suas obras, Família Pastoral e Deus Amou as Plantas.

Em seu discurso, a presidente Marinalva Mello falou sobre os projetos da ALAC, a exemplo da construção de uma sede própria e, para tanto, solicitou o apoio das autoridades canavieirenses o apoio logístico e financeiro. A sede seria um importante equipamento para que toda a população tenha acesso às obras dos membros da Academia, enriquecendo os conhecimentos.

Tainá Perrucho representou o pai, Tyrone Perrucho

A Academia de Letras e Artes de Canavieiras (ALAC) foi criada em 2003, fundada por 40 membros de saber notório (hoje, 35 acadêmicos estão em atuação), que contribuíram com conhecimentos e a cultura, a exemplo de curso de espanhol, Revista ALAC, lançamento de livros dos membros, homenagens e curso de monografia. Atualmente é dirigida por Marinalva Lemos Mello – Presidente, Jane Nonato – Vice-presidente, Eunice Castro – Secretaria.

Saudado pelo acadêmico Durval Pereira da França Filho, o jornalista e agora Acadêmico Honorário da ALAC, teve suas qualidades e ações culturais destacadas no discurso, inclusive as convergências e divergências de pensamento. Ressaltou que o Tabu informou, noticiou, opinou, teceu críticas e foi criticado a respeito dos mais diversos temas: política, educação, religião, cultura, contribuindo assim para a formação de diferentes gerações em suas mudanças e permanências.

Leia, na íntegra, o discurso de saudação:

 

TYRONE PERRUCHO

Durval Pereira da França Filho

Falar a respeito de Tyrone Perrucho é falar de, pelo menos, meio século da memória canavieirense. Em meados do século passado, um jovem cabo chamado Wallace Mutti Perrucho (1923-2014), oriundo de Campo Formoso/BA, mas cuja família viera residir em Ilhéus, integrava o Batalhão do 18º RI, quando por determinação superior, foi deslocado para Canavieiras, em cumprimento de missão de vigilância e segurança do litoral, no início de 1943. Nessa condição permaneceu até o término da guerra, quando foi dispensado.

Em Canavieiras, conheceu uma adolescente chamada Glacy Cardoso de Carvalho, filha de Alberto Carvalho, de tradicional família canavieirense, com quem casou em 1944, ele com 21 anos de idade e ela com apenas 16. Logo nasceu o primeiro filho, que recebeu o nome de Tyrone Carlos de Carvalho Perrucho, uma homenagem ao ator norte-americano Tyrone Power (1914-1958).

Eu conheci Tyrone pela primeira vez em 1959, quando estudamos no então Grupo Escolar Quinze de Outubro. Depois, nos reencontramos na Igreja Adventista, onde ele foi batizado.

Em 1964, eu prestei concurso para o Banco do Brasil e ele foi para a CEPLAC, lotado em Itabuna, no setor de Comunicação e aí permaneceu até quando se aposentou em 1995.

A partir de 1964, vivíamos sob o tacão da ditadura militar e, em 1968, recebi dele o convite para participar de uma revistinha que ele estava querendo criar e que seria chamada de Tabu. O grupo inicial contava ainda com Almir Oliveira Nonato, Antonino Lima, Antônio Amorim Tolentino, Lindbergue Hermes de Oliveira e Raimundo José dos Santos, com o apoio irrestrito do saudoso Wallace Perrucho, desde o início de nossa aventura.

No transcurso desse tempo, o Tabu informou, noticiou, opinou, teceu críticas e foi criticado a respeito dos mais diversos temas: política, educação, religião, cultura, contribuindo assim para a formação de diferentes gerações em suas mudanças e permanências.

Também em 1968, ele casou com Maria Dajuda Damásio Perrucho, a “Coligada”, minha prima, e daí nasceram os filhos: Tupinambá, Taiguara e Tainá Damásio Perrucho, o que contribuiu ainda mais para o nosso relacionamento.

A revistinha logo se transformou em um tabloide e ganhou o respeito da comunidade canavieirense. Quando dos seus 25 anos, produzimos uma paródia de Os Lusíadas, do imortal Camões, que se resumiu nos seguintes versos datados de 25 de maio de 1993, aos quais demos o título de Perruchíadas:

 

Cantem musas do Parnaso, cantem todos

Os feitos gloriosos do passado.

Por mares nunca dantes navegados,

Enfrentando a borrasca e a cruviana,

Em perigos e guerras esforçados

Mãos do que entendia a força humana,

Nossos bravos um reino edificaram

Entre gente que tanto sublimaram.

 

Também cantem as memórias gloriosas

Dos coronéis que foram dilatando

As promissoras terras do cacau,

O Poxim e outras conquistando,

E aqueles que por obras valorosas

O seu nome na história vão deixando.

Parodiando o direi por toda parte,

Buscando de Camões engenho e arte.

 

Cessem vozes de poetas e de bardos

E de todas as obras que fizeram,

Cantando as belezas deste Pardo

E de todas as grandezas que tiveram,

Que eu canto os Perrucho soberanos,

Que brilhante ideia conceberam.

Cesse tudo que a musa antiga canta,

Que um Tabu mais alto se alevanta.

 

Festejemos: filarmônicas e fanfarras,

Violas, violões, címbalos, sinos,

Bandolins, trombones e guitarras,

Com a verve de Fernando e Tolentino,

Com as crônicas de Tyrone e Adelmar.

Com Calhau, com Ferrer e com Sabino,

Com Messias, com Thesbita lá no Sul.

Festejemos as “pratas” do Tabu.

 

Isto foi há 25 anos. Ao longo dos 50 anos do Tabu impresso em papel, eu e Tyrone sempre estivemos juntos, mesmo nos momentos de divergências e discordâncias, que foram muitos.

Ele casou em 1968 com uma prima minha, eu casei em 1970 com uma colega da esposa dele. Ele é pai de dois filhos e uma filha. Eu sou pai de dois filhos e uma filha. A filha mais nova de Tyrone nasceu no mesmo mês e ano que meu filho mais novo. Ele se afastou da Igreja Adventista, eu permaneci. Por muitos anos, integramos o mesmo grupo político, depois ele se encaminhou por outros seguimentos. Contudo, a despeito das mudanças e permanências, nós sempre estivemos unidos pelo Tabu, sem qualquer desentendimento por menor que fosse.

Hoje, continua o mesmo intelectual de sempre, na rua dos Rouxinóis, na paradisíaca Ilha de Atalaia, ao lado de sua atual esposa Yolanda Vieira Santana, longe do proscênio e dos holofotes, aceitando apenas o Berimbau como compromisso.

Muito mais que um colega na produção cultural de Canavieiras, ao longo de todos esses anos, Tyrone Perrucho é meu amigo e meu irmão.

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