Notícia postada em 6 de outubro de 2017 às 09:40

Triste itinerário pela Universidade Federal da Bahia

01


– Paredes pichadas no mais primitivo estilo sugerem um estado de subdesenvolvimento intelectivo, linguístico e moral.

– O caos e a desordem nos murais, com cartazes sobrepostos sem nenhuma harmonia, denotam o comprometimento das capacidades mais sublimes da psique humana nos seus, por assim dizer, estudantes.

São dois trechos do patético depoimento do graduando em Psicologia pela Faculdade de Ilhéus e articulista Egon Ralf Souza Vidal sobre o estado de coisas na maior universidade da Bahia, a Ufba, em Salvador.

 

TRISTE ITINERÁRIO PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA: O UNIVERSO BINÁRIO E O FRACASSO DA INTELIGÊNCIA NACIONAL
Aristóteles distingue, em seu volume de obras Órganon, que o homem diverge de outros animais, tal qual ele assim o classifica nesse gênero, por uma única e preciosa razão: a sua inteligência, razão ou capacidade de conhecimento das coisas tal qual o são. Neste compilado de obras, este filósofo da humanidade apresenta um conjunto de estratégias para classificar e descrever, sem erros ou buscando fugir deles, a realidade tal como se apresenta à vida humana. Digo isto como preâmbulo ao que irei apresentar – algo muitíssimo grave e entristecedor, mas, que não poderia passar despercebido – apenas para ilustrar, desde o início, que não busco desenvolver uma crítica, todavia, uma descrição detalhada das circunstâncias passíveis de observação.

Pois bem… Após cinco (5) anos afastado, retorno à UFBA (Universidade Federal da Bahia) para um curso de primavera. Cinco anos se passaram desde que eu abandonei o Bacharelado Interdisciplinar em Artes para ingressar no curso de Psicologia. Na ocasião, eu deixara para trás uma universidade crescendo a todo vapor, empenhada no acolhimento de alunos neófitos e no aprimoramento dos veteranos.

Retornando às hospedagens da universidade, o que vejo é de entristecer. Encontro em cada cantinho do mundo externo das fachadas prendiais, para a minha profunda confusão, um reflexo estranho daquilo que, em todo caso, representa a apredizagem sociocultural de alguns alunos que aqui estudam. Paredes pichadas no mais primitivo estilo sugerem um estado de subdesenvolvimento intelectivo, linguístico e moral. O caos e a desordem nos murais, com cartazes sobrepostos sem nenhuma harmonia, denotam o comprometimento das capacidades mais sublimes da psique humana nos seus, por assim dizer, estudantes.

A crítica política se estende por toda parte; contudo, toda ela, infundada e expressa viçosamente em garranchos do mais tosco estilo, sintetizam a louca dialética que se impõe entre aluno e professor e revelam que, sobretudo, o conhecimento verdadeiro está se perdendo e sendo massacrado com omissão. Afinal, tomando a conduta como conotação objetiva do estado psíquico, a doença da deselegância, da desordem, da corrupção e do caos está, sem muita margem de erro, sendo produzida aqui.

Se as artes no interior da biblioteca Reitor Macêdo Costa expressam o  potencial daqueles que empenharam-se em dominar o ofício artístico e suas nuances, a que remetem as pichações estranhas, rasas, bizarras e repetitivas que revelam-se, como perseguições, no exterior dos prédios? Um grito de socorro, talvez? Se assim fosse, de que sofrem: fome ou sede, pobreza ou violência? Ora se disso sofressem, pois, seria tal conduta a maneira certa de acertar as coisas? Creio que a resposta é negativa por um motivo: a grande massa de trabalhadores brasileiros, que se empenham dia e noite para atingir os seus sonhos, sofrem com impostos indevidos e com o péssimo retorno do investimento que seus impostos financiam ao Estado não agem, sobretudo, de modo criminoso para aplacar as suas queixas.

Só podemos pensar, ao que tudo indica, que  tais alunos universitários sofrem da mais velada e louca ignorância, pois, com exatidão, identificamos que são açoitados pela aparente idiopatia, pretensiosa e bem-conhecida pela côrte nacional de (des) educadores que, sem esmerar, melidram os alunos desavisados que, tal qual caixas abertas, abrem as suas mentes ao estudo atorero do conteúdo-programático da ignorância. Não podemos negar isto. E por que não? Porque o nosso país ocupa os piores lugares em ranking de conhecimento em um momento sem precedentes para o acesso à informação (ver, por exemplo:http://g1.globo.com/educacao/noticia/brasil-cai-em-ranking-mundial-de-educacao-em-ciencias-leitura-e-matematica.ghtml).

Não me parece, conforme o exposto, que todos estes que aqui estão representando o definhamento programado de nossa inteligência, sejam como o cavalheiros da triste figura de Miguel de Cervantes, como muitos poderiam argumentar. E não o são por que motivo? Ora, sabemos que grandes guerreiros compreendem todas as implicações da guerra que travam e todas as artimanhas de seu inimigo. Nesses casos, conforme identificamos, a oposição à virtude do cavalheiro é o que se vê, mediante as péssimas formas de se apresentar perante o mundo. Resultado: o interior repleto de artes e beleza, ordem e educação. O exterior se reveste de desordem estética, como uma anomalia sem fim.

Para dar ares de empirismo às minhas observações, consultei no catálogo on-line da biblioteca os livros de teóricos que, pode-se afirmar, modelam o debate contemporâneo acerca da educação, economia e política. Como base estratégica, adotei como pressuposto as afirmações de Olavo de Carvalho, que sustenta que o universo acadêmico definha gradativamente pelo implemento de: (1) pedagogias socioconstrutivistas e (2) pelo embasamento estrito no marxismo cultural.

Cinco teóricos foram pesquisados: Karl Marx, Antonio Gramsci, Ludwig Von Mises, Platão e Aristóteles. Marx e Gramsci foram escolhidos por razões óbvias: de um provém o ideário político-cultural que inspira tantos jovens desavisados  em escolas e universidades, enquanto que do outro advém as formas estratégicas que embasam a atividade docente daqueles que regem o ensino popular, em geral, nas áreas de humanas.

Ludwig Von Mises foi escolhido por ter sido um dos principados teóricos a ter  demonstrado, “por A+B”, ou, de modo cientificamente respaldado, em 1920, a ineficácia do comunismo/socialismo tal qual Marx propusera. Platão e Aristóteles foram pesquisados por descreverem intensamente – o segundo mais do que o primeiro – as bases gerais do pensamento e do conhecimento humano – algo que deveria, no mínimo, servir como fundamento da educação nacional.

A consulta revelou aquilo que já se previa… O resultado da pesquisa foi catastrófico. O número de produções sobre Marx (528) e Gramsci (110), apenas, superam o total de obras dos outros três pensadores que selecionei. Em contrapartida, apenas a leitura de um deles (Platão [194], Aristóteles [110] ou Mises [14]) se faz necessária ou suficiente para extirpar em qualquer inteligência o anseio da ignorância comunista. O que se infere, em  lato senso, é que nas instituições de ensino não se produzem inteligências. Produz-se, isto sim, ideologia, definhamento e estupidez moral e cívica.

O debate que ora se desenvolve em contrapartida a este preocupante estado de coisas se dá, sobretudo, em consonância com o empenho persistente e criterioso daqueles que buscam pequenos grupos de estudo, instrução individual, etc. Assegura-se, com isto, que graduações e pós-graduações são, hoje, o melhor mecanismo de blindagem da ignorância (com exceções, é claro), que colabora para o processo cíclico de definhamento da sabedoria, da cultura, da moral, da espiritualidade e da inteligência de nosso país.

Tudo isto deveria ser analisado com urgência! Tudo isto tem passado despercebido das massas! O fracasso das próximas gerações estará determinado com este andamento educacional. As coisas que ora acontecem não são frutos do acaso! Esta disputa binária entre “coxinhas versus mortadelas”, negros versus brancos, capitalistas versus socialistas, mulheres versus homens, etc., não dá conta da gravidade de acontecimentos que referem-se à dinâmica cultural e educacional. Nosso país perdeu a guerra para a ignorância! Perdemos a guerra!

Ao final, quem responde pela irresponsabilidade e imaturidade sucedânea à ignorância que insurge da práxis educacional principiada pela ideologia? O trabalhador, as famílias e a sociedade! Ora, ora, ora… Mas, não são estes que exatamente financiam a atividade intelectual daqueles outros, os alunos, ou, em termos corretos, os idiotas úteis da revolução cultural? O golpe demagógico à hipocrisia grita aos quatro cantos; não sendo percebido, todavia, por aqueles que assim agem – pautados na alienação do seu self e na entronização de partidos, atitudes e comportamentos paranóicos ou delirantes –, por estarem presos a um complexo quase que irrefutável, deprimente, de crenças absolutamente disfuncionais perante a realidade. Triste estado da inteligência brasileira, alimentado, sobretudo, com os ísmos de Paulo Freire, Antonio Gramsci, Max Horkheimer, Theodor Adorno, Hebert Marcuse, entre outros. Galopando na perversidade de renomados políticos brasileiros, tais teóricos da crítica infundada estão, irretocáveis, celebrando do inferno o sucesso provindo do máximo triunfo de suas teses: o fracasso cultural de nosso país.

 

A edição em pdf

(Pág. 01.indd)
Edições Anteriores